Cagarra de Cabo Verde Calonectris edwardsii

Migrador de longa distância, reproduz-se em exclusivo de Março a Novembro nas ilhas e ilhéus de Cabo Verde, sendo o Raso e o Branco as áreas mais importantes para a nidificação.

  • Estatuto de conservação
    Estatuto de conservação

    Quase ameaçada

  • Habitat
    Habitat

    Marinho

  • Distribuição
    Distribuição

    Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Santa Luzia, Boavista, Santiago, Fogo, Brava e ilhéus Raso, Branco e Rombo.

  • Tamanho
    Tamanho

    Comprimento 42-47 cm; Envergadura 101-112 cm

  • Peso
    Peso

    420-540 g

Fora da época de reprodução, inverna maioritariamente na costa sul do Brasil e Uruguai. Durante o período de nidificação, optam por fendas em falésias costeiras ou cavidades entre as rochas para fazerem os ninhos. A postura do único ovo inicia-se em Junho, a sua eclosão ocorre no início do mês de Agosto e a cria abandona o ninho no início/meados do mês de Novembro. Macho e fêmea apenas se distinguem quando cantam, com o macho emitindo um som mais agudo do que a fêmea. Alimentam-se principalmente de sardinhas e chicharros, bem como lulas, e habitualmente são vistas a rondar os barcos de pesca à espera de uma refeição fácil.

A Cagarra-de-Cabo-Verde tem uma população reduzida e uma distribuição geográfica limitada, tornando-a vulnerável a predadores introduzidos (ex. gatos, ratos), à mortalidade causada pela captura acidental e à captura de adultos e crias durante a época de nidificação pelo Homem. A poluição luminosa também leva a que muitos juvenis se confundam e colidam com edifícios e outras estruturas, quando tentam o seu primeiro voo rumo ao mar.

Curiosidade: Os pais para forçarem as crias a serem independentes e a alimentar-se por si próprias, abandonam-nas no ninho e param de as alimentar quando estas atingem um determinado tamanho. Levadas pela fome, as crias são então forçadas a sair do ninho e a fazerem o seu primeiro voo rumo ao mar em busca de alimento. Sabe-se que a rica camada de gordura acumulada pelas crias permite-lhes ficar sem comer por períodos extensos de até 20 dias.

O trabalho da Biosfera

A Cagarra-de-Cabo-Verde foi a primeira espécie de ave marinha a ser monitorizada e protegida com regularidade pela Biosfera. Durante muitos séculos, as crias eram mortas em grande número (várias centenas de milhar) no ilhéu Raso e no Branco, uma prática que cessou por completo após intervenção da ONG no terreno em 2006. Em 2008 e 2009 foi feito o primeiro censo da população nidificante no Raso, enquanto desde 2013 a Universidade de Coimbra-MARE, tem realizado vários estudos científicos sobre a espécie. Estes trabalhos abordam a ecologia da espécie, mais especificamente a dieta, os movimentos no mar no período reprodutor por seguimento GPS, o investimento parental e a sua interação com as atividades pesqueiras. Desde 2014 que são realizados a cada 4 anos, censos à população nidificante do Raso com a ajuda da comunidade de pescadores de Sinagoga (antigos caçadores de cagarras). O último censo realizado no Ilhéu Raso em junho de 2018, indicou uma estimativa 6,544 casais reprodutores e em 2021, no Branco, com uma estimativa 1,924 casais (contagem apenas na parte acessível).

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