Cagarra de Cabo Verde Calonectris edwardsii

Migrador de longa distância, reproduz-se em exclusivo de Março a Novembro nas ilhas e ilhéus de Cabo Verde, sendo o Raso e o Branco as áreas mais importantes para a nidificação.

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    • Estatuto de conservação

      Estatuto de conservação

      Quase ameaçada


    • Habitat

      Habitat

      Marinho


    • Distribuição

      Distribuição

      Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Santa Luzia, Boavista, Santiago, Fogo, Brava e ilhéus Raso, Branco e Rombo.


    • Tamanho

      Tamanho

      Comprimento 42-47 cm; Envergadura 101-112 cm


    • Peso

      Peso

      420-540 g

    Endemismo
    Espécie endémica reprodutora de Cabo Verde.

    Morfologia
    A espécie apresenta uma plumagem castanho-acinzentada na parte dorsal, enquanto a parte ventral é branca, e as patas rosadas. O seu bico é mais fino e escuro que as espécies congéneres do Atlântico e norte (Calonectris diomedea e Calonectris borealis). Os juvenis são semelhantes aos adultos.

    Comportamento e Alimentação
    Durante a reprodução encontra-se presente nas águas de Cabo Verde e na costa oeste africana desde o Senegal até à Mauritânia, migrando posteriormente para a América do Sul nas águas do Brasil e Uruguai. Prefere fazer o seu ninho em buracos no chão, cavidades rochosas profundas ou fendas em falésias costeiras. Alimenta-se principalmente de peixes como sardinha, cavala, peixe agulha, bem como lulas, e habitualmente são vistas a rondar os barcos de pesca à espera de uma refeição fácil.

    Reprodução
    Reproduz-se em exclusivo de março a novembro nas ilhas e ilhéus de Cabo Verde, exceto no Maio, Santa Luzia, e nos ilhéus Rabo-de-Junco e Curral Velho, sendo o Raso e o Branco as áreas mais importantes para a nidificação. A postura do único ovo inicia-se em meados de junho, e o início da eclosão ocorre no final de julho. As crias começam a abandonar os ninhos no final de outubro. Durante a incubação, machos e fêmeas fazem turnos de incubação de vários dias seguidos. Logo após a eclosão, os progenitores vigiam a cria durante o dia e depois só durante a noite, diminuindo gradualmente as visitas e a quantidade de alimento à medida que a cria vai ficando mais velha e necessita de adquirir o peso adequado para voar. Geralmente, os indivíduos imaturos visitam pela primeira vez a colónia a partir dos 4 anos, mas a maioria só se reproduz aos 7 anos de idade.

    Ameaças
    Uma das principais ameaças que as populações de Cagarra sofreram foi a captura humana. Antigamente, no ilhéu Raso, a espécie era capturada por pescadores para fins alimentares e houve uma forte redução da sua população. Desde 2009, graças a Biosfera, em parceria com outras instituições como Direção Nacional do Ambiente, proibiram a prática desta atividade e hoje a população mantém-se estável. Hoje, alguns dos antigos caçadores trabalham juntamente com a Biosfera, na parte de conservação, fazendo contagem dos casais reprodutores nos ilhéus. Outra ameaça é a poluição luminosa que leva muitos juvenis a bater nos postes de luz e outras estruturas, quando tentam o seu primeiro voo rumo ao mar. A introdução de mamíferos invasores, como gatos e ratazanas nas ilhas onde a Cagarra nidifica e captura acidental em artes de pesca são também fortes ameaças para esta espécie.

    Curiosidades
    Machos e fêmeas distinguem-se quando cantam, emitindo o macho um som mais agudo comparativamente ao som rouco e baixo da fêmea.

    O trabalho da Biosfera

    A Cagarra-de-Cabo-Verde foi a primeira espécie de ave marinha a ser monitorizada e protegida com regularidade pela Biosfera. Durante muitos séculos, as crias eram mortas em grande número (várias centenas de milhar) no ilhéu Raso e no Branco, uma prática que cessou por completo após intervenção da ONG no terreno em 2006. Em 2008 e 2009 foi feito o primeiro censo da população nidificante no Raso, enquanto desde 2013 a Universidade de Coimbra-MARE, tem realizado vários estudos científicos sobre a espécie. Estes trabalhos abordam a ecologia da espécie, mais especificamente a dieta, os movimentos no mar no período reprodutor por seguimento GPS, o investimento parental e a sua interação com as atividades pesqueiras. Desde 2014 que são realizados a cada 4 anos, censos à população nidificante do Raso com a ajuda da comunidade de pescadores de Sinagoga (antigos caçadores de cagarras). O último censo realizado no Ilhéu Raso em junho de 2018, indicou uma estimativa 6,544 casais reprodutores e em 2021, no Branco, com uma estimativa 1,924 casais (contagem apenas na parte acessível).

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