Osga de Bouvier Hemidactylus bouvieri

Com bandas escuras dorsais, cauda colorida amarela ou vermelha e focinho pontiagudo esta espécie de osga particularmente bonita, está na realidade classificada como “Criticamente em Perigo” segundo a Lista Vermelha do IUCN e portanto altamente ameaçada de extinção.

  • Estatuto de conservação
    Estatuto de conservação

    Criticamente em Perigo

  • Habitat
    Habitat

    Arbustivo e pastagem

  • Distribuição
    Distribuição

    Ilha Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Santa Luzia e ilhéu Raso

  • Tamanho
    Tamanho

    -

  • Peso
    Peso

    -

Como uma osga mais pequena do que a Osga de Boavista (Hemidactylus boavistensis), a Osga de Bouvier tem supostamente a distribuição mais ampla de todas as espécies de répteis das Desertas, existindo também nas ilhas de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau. Infelizmente o facto de ter sido registada em várias ilhas, não significa que a sua população seja abundante. Os vários estudos dirigidos à espécie apontam para um forte declínio e com populações severamente fragmentadas. A sua presença nas várias ilhas foi raramente registada e apenas conhecida através de observações esporádicas e isoladas de no máximo 5 indíviduos ao mesmo tempo. Em 2013 foi pela primeira vez em 100 anos observado um indivíduo desta espécie em Santo Antão, depois de mais de dois meses de busca intensiva, enquanto que o único registo para São Vicente data de 1998.

De todas as espécies de répteis que ocorrem nas Desertas, esta é a espécie cujo desconhecimento sobre a sua ecologia, biologia e tendências populacionais é mais preocupante e onde existem mais falhas. Pensa-se que tenha hábitos nocturnos e que prefira habitats húmidos de zonas montanhosas entre os 600-700 metros. No ilhéu Raso já foi observada ao longo de um ribeiro seco com vegetação densa e usa as cavidades das rochas ou raízes de plantas como abrigo. Ao contrário das restantes espécies de répteis, a Osga de Bouvier depende de zonas arbustivas ou com algum tipo de vegetação rasteira para a sua sobrevivência. Por esta razão, uma das maiores ameaças à espécie é a perda de coberto vegetal por sobrepastoreio (cabras por exemplo), ou o abate de árvores e arbustos pela população. Esta espécie está também muito vulnerável à predação por mamíferos introduzidos como gatos, cães e ratos. Na ilha de Santa Luzia, os gatos e ratos são potenciais predadores desta espécie, exigindo medidas rigorosas e imediatas de protecção contra estes predadores.

O trabalho da Biosfera

A Biosfera tem promovido e apoiado logisticamente todos os trabalhos científicos e de conservação direcionados às espécies de répteis das Ilhas Desertas, para saber mais acerca das mesmas e sobre a melhor forma de as proteger. De momento não existe nenhum trabalho a decorrer especificamente direcionado à Osga de Bouvier. No entanto as ações de controle de predadores introduzidos atualmente a decorrer na ilha de Santa Luzia, embora não detalhadamente estudados, seguramente que têm tido um impacto muito positivo em todas as populações de répteis presentes em Santa Luzia, incluindo para a Osga de Bouvier. Um seguimento mais aprofundado deste impacto encontra-se de momento em falta para esta ilha.

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