Tubarões e Raias

Com mais de 400 milhões de anos, os tubarões coexistiram com os dinossauros e como grupo sobreviveram à extinção em massa, diversificando-se em mais de 1000 espécies de tubarões e de raias conhecidas, com novas espécies descobertas todos os anos. Os tubarões e as raias fazem parte de um grupo chamado de elasmobrânquios, constituído pelos tubarões com aberturas branquiais nos lados da cabeça e as raias com aberturas branquiais debaixo da cabeça.

Os elasmobrânquios têm um papel essencial nos ecossistemas, mantendo saudável toda a cadeia alimentar por removerem os animais doentes/fracos. Servem assim de indicadores do estado de saúde dos nossos Oceanos. Como grupo, são de uma diversidade extraordinária, variando entre os 18 metros de tamanho e os 20 cm e habitando desde mares profundos e planícies abissais até zonas costeiras de baixa profundidade. Como predadores de topo nos ecossistemas, são animais versáteis e eficientes, alimentando-se tanto peixes como de tartarugas, focas, baleias e golfinhos. Os seus sistemas sensoriais são refinados para a detecção de presas. O olfato, é geralmente o primeiro sentido a alertar o tubarão sobre uma potencial presa, especialmente se está ferida. As espécies mais sensíveis conseguem detectar o equivalente a 1 gota de óleo de peixe numa piscina olímpica!

Infelizmente todas as populações de tubarões e raias estão em rápido declínio. São espécies sensíveis à acção humana porque crescem a um ritmo lento, demoram muitos anos a atingir a idade adulta e dão origem a poucas crias. Por este motivo são particularmente vulneráveis à sobreexploração pesqueira. Estima-se que o comércio de barbatana de tubarão mate 100 milhões de tubarões anualmente, incluíndo o emblemático tubarão-baleia. Nas águas nacionais existem várias espécies de tubarões, sendo Cabo Verde um local importante para o seu ciclo de vida. No nosso país a dinâmica desregulada da pesca de tubarão por parte de embarcações nacionais e estrangeiras, impôs a necessidade de se adotarem medidas de conservação, ficando proibida em Cabo Verde a pesca de 9 espécies de tubarão.

O trabalho da Biosfera

Vários parceiros nacionais e internacionais participam nos trabalhos da Biosfera com tubarões e raias para reunir informação essencial das espécies. Ao nível técnico, podemos destacar o apoio da Universidade de Dalhousie, do ShARCC, OTN e do GEOMAR. Em 2015 iniciámos os trabalhos na Reserva Marinha de Santa Luzia, focando principalmente no Tubarão-viola, Glaucostegus cemiculus, em “Perigo de Extinção” e no Tubarão doninha do Atlântico, Paragaleus pectoralis, com “Dados deficientes” segundo a Lista Vermelha do IUCN.

Deste então a Biosfera reforça as pesquisas, nos mesmos alvos, num projeto nomeado de “Cabo Verde Elasmobranch Research and Conservation Project" (financiado pela  Fundação WAITT e pela Ocean 5).

Espécies estudadas pelo projeto: Glaucostegus cemiculus, Paragaleus pectoralis, Ginglymostoma cirratum, Carcharhinus limbatus, Carcharhinus brevipinna, Carcharhinus sp., Mustelus,  mustelus, Sphyrna sp., Galeocerdo cuvier, Taeniura grabata e Mubula tarapacana.

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