PESCA: Sustentável do mar ao prato

Projeto que envolve as comunidades de pescadores e a sociedade civil para a implementação de pesca certificada e amiga do ambiente em São Vicente.

Espera-se que a criação de um certificado de pesca sustentável para Santa Luzia, contribua para o desenvolvimento, a longo prazo, desta atividade dentro da Reserva.

Cabo Verde, como país voltado para o mar e com um ambiente marinho diverso, depende dos recursos pesqueiros como uma das atividades socioeconómicas mais importantes para o país.

 

Estes recursos são, no entanto, bastante vulneráveis à sobre-exploração e proliferação da pesca ilegal, o que poderá limitar a sua disponibilidade e, assim sendo, comprometer esta atividade para as gerações vindouras. Para uma melhor proteção dos valores naturais da Área Marinha Protegida de Santa Luzia, a Biosfera, em parceria com entidades governamentais, começou, em 2019, um estudo piloto sobre a implementação de um modelo de pesca certificada na ilha de São Vicente, que agora, encontra-se na sua segunda faze de implementação. Este projeto procura desenvolver um certificado de pesca sustentável e a integração do peixe certificado no mercado e menu dos restaurantes. Contamos também com uma forte componente publicitária para apresentar este produto aos consumidores e auxiliar numa tomada de decisão informada, e também para divulgar os problemas de sustentabilidade que o setor pesqueiro enfrenta.

Como beneficiários, focamos na pesca artesanal desenvolvida pela comunidade piscatória de Salamansa. Também, estamos a trabalhar em cooperação com um grupo de vendedeiras do Mercado de Peixe, que vendem a garoupa, de origem sustentável e de qualidade superior, ao público e aos restaurantes parceiros do projeto. Esses restaurantes podem ser identificados através de um roll-up com o selo do projeto instalado no estabelecimento.

Até o momento, já foram postas à disposição do público mais de 20.000 kg de garoupa pescadas seguindo os critérios de sustentabilidade exigidas pelo projeto, que são: tamanho mínimo de captura de 27 cm e capturado somente com linha e anzol.

Uma nova componente do projeto é a gravação de vídeo-receitas culinárias com um conceituado Chef  nacional, com o intuito de promover e valorizar espécies com grande potencial gastronómico e com um stock ainda por explorar, mas com baixo valor no mercado e, por conseguinte, não constituindo um alvo para as pescarias. A ideia por detrás disto é que, com essas receitas possamos levar a uma mudança de mentalidade e essas espécies de peixe passam a ser mais procuradas, criando assim um mercado para elas e, consequentemente, aumentar o seu valor. Ao mesmo tempo, trabalharemos em parceria com os pescadores e iremos informá-los para que eles comecem a explorar esses recursos e suprir essa demanda, obtendo assim rendimentos extras.

Em última análise, pretendemos melhorar condições de vida das comunidades e promover a sustentabilidade da atividade de pesca artesanal em torno da Área Marinha Protegida.

Paralelamente ao projeto Pesca Sustentável, a Biosfera tem em curso um novo projeto: Iniciativa de Pesca Costeira, resultante de um protocolo assinado em junho último com a FAO, com atividades no domínio da gestão e cogestão das pescas, que visa oferecer benefícios ambientais, sociais e econômicas, sustentáveis, na África Ocidental através da boa governança, incentivos e inovação.”

Detalhes do projecto
Título do projeto  Desenvolvimento de um modelo sustentável de pesca certificada para proteção da biodiversidade da Reserva Marinha de Santa Luzia
Espécies-alvo  Espécies comerciais de peixe – Garoupa
Duração  Abril 2019 – Março 2022
Parceiros técnicos  Instituto do Mar – Cabo Verde (IMar), Direção Nacional do Ambiente (DNA)
Parceiros financeiros  Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF, GEF Small Grants Programme, United Nations Development Programme – UNDP,                     FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations
Os principais objectivos para este modelo de pesca sustentável são os seguintes:
  • Uma gestão sustentável dos recursos pesqueiros para manter a integridade e a biodiversidade dos ecossistemas marinhos;
  • Um modelo integrativo de pesca que englobe todos os aspectos ambientais, económicos, sociais e comerciais;
  • Um modelo de co-gestão entre a comunidade, entidades governamentais e ONGs cabo-verdianas para uma viabilidade a longo prazo;
  • Cumprir a jurisdição nacional e os acordos internacionais de pesca;
  • Ser um sistema participativo em que a participação voluntária e a cooperação dos pescadores são essenciais para garantir a recuperação e a continuação das técnicas tradicionais de pesca.