DESERTAS – Reserva de Santa Luzia
O Projeto DESERTAS pretende estabelecer um sistema de vigilância e monitorização eficaz na ilha de Santa Luzia, e assim aumentar a proteção de habitats e espécies endémicas e/ou vulneráveis nesta ilha protegida e desabitada.

Com o apoio da Fundação MAVA, teve início em 2017 e é fruto de uma forte colaboração entre a Direção Nacional do Ambiente (DNA), Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Biosfera e algumas Universidades estrangeiras. Os principais eixos deste projeto são os seguintes:
- Assegurar a gestão eficaz da Reserva de Santa Luzia. Os primeiros passos foram adquirir o equipamento básico (barco, tendas, uniformes, GPS, binóculos, rádio) e recrutar a equipa de vigilância necessária para trabalhar na reserva. Os técnicos da Biosfera e os agentes de DNA estão agora devidamente envolvidos e motivados e são regularmente treinados em: monitorização e legislação da reserva, mapeamento e caracterização de habitat, monitorização e manipulação de fauna silvestre, navegação e gestão de dados;
- Estabelecer estações temporárias de vigilância na ilha e apoiar o funcionamento do gabinete de Áreas Protegidas da DNA no Mindelo. Em Santa Luzia, foi criada a primeira estação de vigilância em Água Doce, e a sede dos vigilantes da Reserva será em breve construída no Portinho. Foram estabelecidos fundeadouros oficiais no Calhau (São Vicente), no Portinho (Santa Luzia) e no ilhéu Raso, para melhorar a segurança das embarcações que prestam serviço na Reserva e para reduzir o impacto das mesmas no fundo do mar;
- Monitorizar continuamente as espécies exóticas invasoras nessas ilhas vulneráveis, onde qualquer perturbação externa pode ter um impacto desastroso sobre o ecossistema e as espécies;
- Estabelecer protocolos de monitorização da biodiversidade e monitorizar a evolução das espécies e habitats com resultados encorajadores para a protecção das tartarugas reprodutoras (Caretta caretta) e das aves terrestres. 37 espécimes da Calhandra-do-ilhéu-Raso, uma ave endémica da ilha do Raso, foram reintroduzidos com sucesso em 2018 na ilha de Santa Luzia. A reintrodução desta espécie noutra ilha destina-se a aumentar a resiliência da população a longos períodos de seca frequente nos últimos anos;
- Assegurar campanhas de monitorização e vigilância nos locais de desova de tartarugas Caretta caretta de Junho a Outubro. Em 2018, mais de 5500 ninhos foram identificados e monitorizados;
- Promover e mobilizar as autoridades e o público em geral sobre a importância da Biodiversidade de Santa Luzia.
Detalhes do projecto
| Título do projeto | DESERTAS – Gestão sustentável da Reserva Marinha de Santa Luzia |
| Espécies-alvo | Biodiversidade global / Espécies endémicas como Calhandra-do-ilhéu-Raso (Alauda razae) / Espécies invasoras / Tartaruga marinha (Caretta caretta) |
| Duração | Abril 2017 – Dezembro 2020 |
| Parceiros técnicos | Direção Nacional do Ambiente (DNA), Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Universidades de Coimbra (MARE) e do Cabo Verde |
| Parceiros financeiros | Fundação MAVA |
Notícias:
Vídeo da translocação da Calhandra-do-raso – (Maio 2018)
Vídeo – As ilhas Desertas – (Julho 2017)