Enfrentar a poluição marinha

A poluição marinha é um flagelo que exige o empenho de todos. 

As questões relacionadas com a poluição marinha há muito que fazem parte das preocupações da Biosfera: assistimos, em primeira mão aos impactos que este lixo tem nos ecossistemas e nas espécies marinhas e terrestres e percebemos que devemos começar a tomar ações concretas para tentar colmatar estes impactos.

Um dos casos mais gritantes, será talvez aquele a que assistimos todos os anos na Praia dos Achados, na ilha deserta de Santa Luzia, um importante local para a nidificação das tartarugas marinhas Caretta caretta. Esta praia, por se encontrar exposta a correntes marítimas predominantes, acumula toneladas de lixo vindos do mar, dificultando a subida das fêmeas para escolha de local de nidificação e, posteriormente, a progressão das pequenas tartarugas desde o ninho até ao oceano.

Para tentar combater este problema, a Biosfera organiza anualmente uma grande campanha de limpeza, antes da época de nidificação das tartarugas (que decorre entre junho a outubro). Grande parte do lixo encontrado na praia são resíduos da indústria das pescas, seguido de perto por enormes quantidades de plástico em várias fases de degradação. Ao longo do ano são também organizadas várias campanhas de limpeza nas praias de São Vicente.

No entanto, sabemos que combater o problema da poluição marinha somente através de ações a posteriori é manifestamente insuficiente, razão pela qual a Biosfera se encontra neste momento a trabalhar numa estratégia integrativa de combate à poluição marinha.

No período de 2021-2025, pretendemos trabalhar em várias frentes e desenvolver as seguintes atividades:

  • Assegurar, em colaboração com as autoridades competentes, os meios técnicos, logísticos e financeiros para recolher os lixos dos sítios com maior valor de biodiversidade;
  • Realizar campanhas de sensibilização e de mobilização em São Vicente para reduzir drasticamente o uso de plástico e de itens de uma única utilização;
  • Campanhas de sensibilização nas escolas para promover atenção para os problemas resultantes da poluição marinha e incorreto descarte de resíduos;
  • Desenvolver uma unidade de transformação de plástico e/ou vidro numa comunidade local em São Vicente, valorizando os resíduos e apostando em alternativas de economia circular;
  • Desenvolvimento de um projeto piloto para a recolha e transformação de redes de pesca abandonadas e que dão à costa nas praias da ilha, com o apoio e envolvimento das comunidades piscatórias;
  • Instar o Governo a tomar medidas para melhorar a legislação e aplicar leis para reduzir a poluição plástica;
  • Acompanhar e monitorizar potenciais riscos de poluição marinha.

 

O objetivo deste grande desafio é impulsionar Cabo Verde como um país de excelência na gestão da poluição marinha.

Neste sentido, foi desenvolvido um calendário anual para informar e alertar as crianças e o público em geral, relativamente a esta problemática, que foi  distribuído pelas 500 salas de aula das escolas primárias das ilhas de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau. .Aceder ao Calendário.

Notícias:

Mega campanha de limpeza – ilha de Santa Luzia (Campanha de limpeza realizado na praia dos Achados (Junho 2021)
Campanha de limpeza – ilha de São Vicente (Campanha de limpeza realizado na praia do Norte de Baía (Outubro 2020)
A Ilha Deserta Das Tartarugas (série de reportagens da TVI sobre Poluição Marinha, intitulado de “PLÁSTICO: O NOVO CONTINENTE”) (Agosto 2020)
Remote Sea Turtle Nesting Area Cleared of Over 4 Tons of Plastic Waste, (Área remota de nidificação de tartarugas marinhas limpa de mais de 4 toneladas de resíduos plásticos) – Sea Shepherd (Março 2019)